Teologia da História
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Igualitarismo - X
As etapas que preparam a ação humana
Nota: O Prof. Plinio ministrou esta série de aulas em 1957; hoje, em 2026, vemos como o igualitarismo em cada uma das áreas destacadas por ele aumentou e passou a dominar quase completamente. TIAComecemos nossa exposição sobre os Anjos mostrando sua relação com os sete estágios da ação humana. São Tomás de Aquino afirma que a ação pressupõe no homem, ou põe em movimento no homem, sete faculdades, ou seja, uma ação que consiste em sete estágios.
O espírito frenético dos nossos dias, comum em Wall Street, acima, trabalho, diversões, etc.
Três etapas do pensamento
Consideraremos primeiramente as faculdades cognitivas e somente depois as faculdades operativas do homem, pelas quais ele age. Nesta classificação de faculdades cognitivas e operativas, podemos ver claramente a negação do que poderíamos chamar de “americanismo,” ou também hoje “brasilianismo.” É muito comum, neste temperamento frenético, lançar-se freneticamente à ação sem pensar previamente, sem considerar o que se vai fazer ou por que se vai fazê-lo.
O primeiro passo da ação, porém, não é agir, mas pensar. Inicia-se uma ação pensando, e não agindo. O processo de pensamento que prepara uma ação será o elemento predominante nela. Esse processo de pensamento é composto por três estágios:
1. Conhecer o objetivo
A primeira faculdade cognitiva é aquela pela qual a pessoa busca e compreende o objetivo que tem em mente ao agir. Ela conhece o objetivo final e os objetivos intermediários que a conduzirão a ele.
Isso é muito sensato. Não há nada mais insensato do que alguém agir sem conhecer o objetivo que deseja alcançar. E, quanto mais clara for sua compreensão do objetivo e quanto mais completamente ela estiver absorta nesse objetivo, melhor executará a ação.
O emblema jesuíta encontrado nas instituições de Santo Inácio ainda se encontra nos dias de hoje
Aplicação a Santo Inácio
Santo Inácio compreendeu muito bem o fim que tinha em vista:
- Em primeiro lugar, está o fim considerado em si mesmo, que é a maior glória de Deus. Os homens devem desejar a maior glória de Deus, e este foi o primeiro fim de Santo Inácio, que escolheu o lema para a Companhia de Jesus – Ad maiorem Dei gloriam (ADMG).
- Em segundo lugar, está o fim, tal como deve ser percebido e buscado no tempo de cada um.
- Terceiro, está o que cada um deve fazer pessoalmente nesta obra para a maior glória de Deus.
Santo Inácio possuía um conhecimento magnífico da glória de Deus, pois a conhecia de diversas maneiras:
A. A glória de Deus em si mesma
Primeiramente, como considerada em Deus; o que é a glória de Deus e quanto vale a sua glória. E assim como ele sabia o que é a glória de Deus, ele também sabia o que é o oposto da glória de Deus, isto é, a afronta a Deus. Ele sabia que a glória de Deus tem graus, assim como a afronta a Deus. Ele conhecia o valor da glória de Deus, que é o fim último de todas as coisas, e a grave injúria que existe em uma pessoa que nega a glória de Deus.
Deus deve ser glorificado tanto na esfera temporal quanto na religiosa
Em terceiro lugar, a contemplação da glória de Deus na esfera temporal: como a glória de Deus se realiza na Cristandade – nos Estados cristãos, nos grupos intermediários como corporações, feudos nas famílias e, finalmente, nos indivíduos. Como cada coisa em cada canto da Terra deve glorificar a Deus. Como se realiza nas diversas manifestações da vida cultural e social em todos os povos.
Em quarto lugar, finalmente, ele conhecia a glória de Deus não apenas em cada ser considerado individualmente, mas também nas relações entre esses seres. A harmonia dessas relações glorifica a Deus. Assim, os movimentos dos seres também devem ser considerados: os seres se movem para alcançar algo e, por meio desse movimento, glorificam a Deus.
Vemos, portanto, nesses quatro pontos, como Santo Inácio tinha uma noção doutrinária teórica perfeita do fim que almejava.
B. Estado da glória de Deus na época de Santo Inácio
Descendo na escala, fica evidente que Santo Inácio compreendia como a glória de Deus deveria ser realizada em sua época, bem como como Deus estava sendo insultado em seu tempo. Ou seja, ele percebia como o Protestantismo e o Humanismo estavam roubando almas de Deus e como era necessário lutar para trazer as almas de volta a Deus.
C. A glória de Deus em Santo Inácio
Finalmente, um último ponto, que é considerar a glória de Deus como ela se apresentava não apenas em sua época, mas também em seu próprio caso pessoal. Ou seja, o que ele deve fazer para dar a Deus a glória que lhe é devida e, assim, alcançar a glória de Deus em sua pessoa. É evidente que um homem com um entendimento muito elevado, profundo, ortodoxo e santo de todas essas coisas poderia verdadeiramente ser o fundador da Companhia de Jesus, voltada para a glória de Deus.
2. Escolher os meios adequados para atingir o fim
A partir desse elevado conhecimento dos fins na ordem da ação e da preparação para a ação, passamos a outra faculdade cognitiva, que é conhecer os meios adequados para atingir esse fim. Isso já é algo significativamente diferente. Aqui, ele pergunta o que pode fazer para promover a glória de Deus. Que meios deve usar para promover a glória de Deus? Com isso, passamos ao conhecimento da escolha dos meios que conduzem a esse fim.
Inácio estudou a si mesmo para compreender
seus atributos e capacidades
Mas, mesmo enquanto fazia isso, percebeu que sozinho era insuficiente para alcançar esse fim na medida em que desejava e que precisava de um instrumento para atingir seus objetivos: esse instrumento era a Companhia de Jesus. A solução era uma Ordem Religiosa com uma organização, currículo, obras etc. específicos. São os meios que ele imaginou.
Mas observe que até este ponto ele não estava agindo, mas pensando. Por que ele alcançou esse objetivo tão bem? Toda a perfeição em sua obra existia porque ele conhecia bem o fim. Quem conhece bem o fim também conhecerá os meios para alcançá-lo.
3. Saber como a ação se desenrolará
Passamos agora à terceira faculdade cognitiva. Após conceber uma Ordem Religiosa, ele ainda não havia feito nada em termos de planejamento. Precisava saber como conduziria essa Ordem Religiosa para alcançar seu propósito.
Não bastava ter imaginado a obra; era preciso construir uma teoria sobre como essa obra seria governada e conduzida para atingir seus fins. Porque ela não pode simplesmente ficar parada, precisa se movimentar. E esse movimento em si precisa ser estudado.
O espírito fértil do homem pode produzir uma obra como a terra produz frutos e vegetais
Esses três estágios podem ser resumidos em três estados de espírito: profundo, fértil e prático. O espírito pelo qual uma pessoa conhece o fim, podemos dizer, é o espírito profundo. O espírito pelo qual uma pessoa produz os meios, podemos dizer, é o espírito fértil. O espírito pelo qual uma pessoa movimenta os meios para atingir o fim é o espírito prático. Pode-se então dizer que, com o espírito profundo, fértil e prático, uma pessoa está verdadeiramente equipada para a ação.
No próximo artigo, examinaremos os quatro estágios operativos necessários para a efetiva realização do plano.
Continua
Postado em 4 de maio de 2026
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