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Conselho para o Capitalismo Inclusivo - I

Um olhar aprofundado sobre esta 'novidade'

Salwa Bachar
“A utopia para a qual nos conduz a Revolução é um mundo cujos países, unidos em uma república universal, não passam de designações geográficas, um mundo sem desigualdades sociais nem econômicas, regido pela ciência e pela tecnologia, pela mídia e pela psicologia, para alcançar, sem o sobrenatural, a felicidade definitiva do homem.” (1)

Estas palavras são do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicadas em 1959 – há mais de 60 anos; no entanto, elas ainda são relevantes quando se considera a mais recente e talvez mais importante iniciativa global, pan-religiosa e socioeconômica do Vaticano até hoje: o Conselho para o Capitalismo Inclusivo.

Em novembro de 2019, apenas um mês antes do surto de Covid do laboratório em Wuhan e o mundo e a Igreja foram submetidos ao Socialismo de Higiene, o Papa Francisco se reuniu com o Conselho para o Capitalismo Inclusivo, uma coalizão global de corporações multinacionais cujo objetivo é implementar o “Capitalismo Inclusivo.”

O grupo foi lançado oficialmente em 8 de dezembro de 2020 sob os auspícios do Papa Francisco. Ao acolher este grupo, Francisco assumiu o papel de “capelão,” com a ajuda do Cardeal Peter Turkson, Prefeito do Dicastério do Vaticano para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral.

Francis meets with the Council for Inclusive Capitalism

Francisco se encontra com os que formaram o Conselho para o Capitalismo Inclusivo

Para o Papa Francisco, este Conselho aborda a “necessidade” de “um sistema econômico justo, confiável e capaz de enfrentar os desafios mais profundos da humanidade e do nosso planeta” (suas palavras ao Conselho no discurso de novembro de 2019 aqui, parágrafo 3). O Conselho é apresentado como uma aplicação adequada da “Economia de Francisco,” que é “uma economia inclusiva e não excludente, humana e não desumanizadora, que cuida do meio ambiente e não a despoja [grifo nosso].” (Fonte aqui)

Esta série pretende mostrar por que este Conselho é importante e por que os católicos devem estar extremamente preocupados com o fato de o Vaticano estar abençoando esta iniciativa, que parece ter passado despercebida. A série dará uma visão aprofundada do Conselho: seus antecedentes, seus princípios fundadores e como eles conflitam com a doutrina católica, bem como sua terminologia, objetivos e meios de alcançá-los e sua atividade mais recente.

Este primeiro artigo dará algumas informações sobre o Conselho, a filosofia revolucionária por trás dele e demonstrará como ele é incompatível com a Fé.

O Conselho, liderado por Lynn Rothschild

O Conselho foi fundado por Lady Lynn Forester de Rothschild, esposa de Sir Evelyn Robert de Rothschild (ambos em seu terceiro casamento). Lynn Rothschild é uma investidora americana e chefe de várias empresas multinacionais. Ela também é membra do American Masonic Council on Foreign Relations, que publica a importante revista chamada Foreign Affairs.

Lynn Rothschild

Lynn Rothschild

A conhecida família Rothschild tem sido o mestre das marionetes dos governos durante séculos por meio de seu império bancário internacional; também está envolvida há muito tempo na Maçonaria, um fato que o Arquivo Rothschild oficial em Londres relata. Este é um tema no qual esta série não pretende se aprofundar.

No entanto, o simples fato de o Papa abençoar uma iniciativa e entrar em colaboração direta com um membro da família Rothschild judaico-maçônica implica mais uma reversão das perenes e enérgicas condenações da Igreja contra a Maçonaria e o Judaísmo.

Isso por si só deveria levantar a indignação dos católicos.

O Conselho e a Coalizão

Uma pesquisa mais aprofundada no Conselho revela que na verdade é a versão “abençoada” de outro grupo chamado Coalition for Inclusive Capitalism, que foi fundado em 2014 pela mesma Lynn Rothschild. Ao lidar com o Papa Francisco, a Coalizão se remodela e assume o nome de “Conselho,” assumindo um brilho “espiritual” (os dois sites são muito parecidos, aqui e aqui). Seu canal no YouTube adota o nome vago de “Capitalismo Inclusivo” para abranger tanto a Coalizão quanto o Conselho.

Esta série se referirá a ambos os grupos como CCI.

Princípio motriz do CCI: a desigualdade é má

O capitalismo inclusivo recebeu nomes diferentes: Socialismo Democrático, Capitalismo Social e Capitalismo do Bem Comum.

De acordo com Lynn Rothschild, “O movimento em direção ao Capitalismo Inclusivo é nada menos que uma reforma completa dos mercados de capitais” (min. 11:10 aqui). Baseia-se no princípio revolucionário de que a desigualdade é um mal e deve ser eliminada.

Nas próprias palavras de Lynn Rothschild: “Desde o lançamento do Conselho para o Capitalismo Inclusivo em 2020 ... nossos membros estão tomando ações concretas e mensuráveis para praticar o capitalismo de forma a enfrentar a grande desigualdade e os desafios climáticos de nosso tempo [enfase adicionada].” (2)

O Cardeal Turkson, que também lidera o CCI, chamou a desigualdade de “prejudicial.” Estas são suas palavras, de sua palestra à conferência internacional “A Economia Segundo o Papa Francisco,” realizada no Vaticano em 13 de setembro de 2016:

Card Peter Turkson

Card. Peter Turkson

“Por que a desigualdade é tão ruim? Alguns economistas argumentam que é natural e saudável, o resultado inevitável de uma economia de mercado competitiva. Nos últimos anos, no entanto, parece haver cada vez mais evidências de que a desigualdade excessiva é ruim para o crescimento econômico, para as oportunidades econômicas, para a estabilidade financeira e para a confiança e a coesão social. Na verdade, acho que há uma razão ainda mais profunda pela qual a desigualdade é prejudicial. Adam Smith pode ser mais famoso como o padrinho intelectual do livre mercado, mas ele também teve uma visão profunda de que a desigualdade mina a virtude porque leva as pessoas a admirar a riqueza, o prestígio e o privilégio – e a desprezar os pobres [ênfase adicionada].

“O Papa Francisco conecta esses pontos, unindo a desigualdade, a economia da exclusão e as patologias da cultura do descarte. Em última análise, ele sugere que a desigualdade gera violência e destrói a paz: 'Isso não ocorre simplesmente porque a desigualdade provoca uma reação violenta dos excluídos do sistema, mas porque o sistema socioeconômico é injusto em sua raiz,’ diz ele (EG 59). E a desigualdade é a ‘raiz dos males sociais’ (EG 202). [ênfase adicionada]”


Está além do escopo desta série entrar em uma refutação do igualitarismo. Basta dizer que a TIA já provou que esse princípio está errado em outros lugares, aqui, aqui, aqui e aqui.

Base econômico-científica do CCI

Qual a inspiração econômico-científica por trás desse novo “Capitalismo Inclusivo”? Encontramos a resposta em uma videoconferência do CCI com Lynn Rothschild, Card. Turkson e Oliver Bäte, que é CEO da fornecedora alemã de serviços financeiros internacionais Allianz-SE. Ele afirma no min. 13:00:

“Nós [Allianz] fomos fundados em 1819 na Alemanha, e a Alemanha adotou após a Segunda Guerra Mundial um conceito econômico que na verdade chamamos de economia social de mercado, então é exatamente disso que o Papa falou, já é uma realidade. Portanto, temos um conceito historicamente na Alemanha, no centro da Europa, e acho que está se espalhando, que diz O capitalismo só florescerá se beneficiar a sociedade de forma onipresente, não apenas certos grupos de interesse, e também se estiver capacitando o crescimento e o sucesso de longo prazo [ênfase adicionada].”

Não é apenas Oliver Bate que iguala o capitalismo inclusivo à economia social de mercado. Henryk Borko, ex-reitor da Escola de Economia de Varsóvia - a principal escola de negócios da Polônia - explicou em um breve artigo que a economia social de mercado é o Capitalismo Inclusivo (aqui, p. 6-7, 18-19):

Henryk Borko

Prof. Henryk Borgo

“Após a experiência da crise financeira de 2008 é provável que o mundo se baseie em um conceito ordo-liberal socialmente inclusivo do modelo de economia social de mercado como remédio... O que significa Capitalismo Inclusivo? Inclusivo significa comum, disponível para qualquer pessoa, sem exclusão(s). Inclusão significa incluir os excluídos, pois quanto mais pessoas são excluídas, maiores são as desproporções sociais e mais o capitalismo age contra si mesmo... Uma economia social de mercado é, na verdade, Capitalismo Inclusivo, que visa prevenir a exclusão social.”

O Card. Turkson, na mesma palestra de 2016 mencionada acima, argumenta que a solução para a atual crise econômica (e a solução que o Papa Francisco clama) é uma solução baseada na economia social de mercado, que ele usa de forma intercambiável com o termo “economia social”:

“[Reconstruindo a Europa depois da II Guerra Mundial] exigiu um esforço heróico e trouxe o melhor da humanidade. Precisamos desse tipo de esforço heróico mais uma vez: aproveitar as virtudes que impulsionaram a economia social de mercado original – mas em escala global. Isso inclui enfrentar as mudanças climáticas e alcançar uma agricultura sustentável, além de esforços para garantir que todos tenham acesso a alimentos, saúde, educação, água potável, energia limpa e comunicações. Uma economia social do século 21 não deve priorizar apenas a solidariedade e a subsidiariedade – mas também a dignidade humana, a igualdade e a sustentabilidade [ênfase adicionada].”

O que é a economia social de mercado? Considerada uma “terceira via” ou “caminho do meio” entre o Capitalismo e o Socialismo (também chamado de “terceira posição” ou socialismo moderado, que foi condenado pelo Papa Pio XI antes do Vaticano II), a economia social de mercado é uma solução socialista para os capitalistas: é um livre mercado regulado pelo governo dentro de um estado de bem-estar social (baseado nos princípios de oportunidades iguais e distribuição igualitária de riqueza). Tornou-se popular na Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial com o lema: “Prosperidade para todos, propriedade para todos.” Baseia-se no ordo-liberalismo econômico, que está no lado oposto do neoliberalismo. A economia social de mercado também opera sob diferentes nomes: capitalismo do Reno, socialismo de mercado, socialismo liberal e economia socialista de mercado.

A versão do CCI desta economia social de mercado é exatamente o que o Papa Francisco e o Card. Turkson pediu: a economia social de mercado, mas em escala global.

Uma nota lateral: esta economia social de mercado não constitui apenas a base para as economias da Alemanha, Áustria, República Checa, Polónia, Reino Unido, a União Europeia (ver seu Título I Artigo III parágrafo 3 aqui), e o “ desenvolvimento sustentável” tão desejado pelas Nações Unidas, mas também é o modelo econômico da China comunista, que este último chamou de “economia de mercado socialista” desde a década de 1980.

Isso deve nos dizer tudo: se a China comunista escolheu a economia social de mercado, é porque o modelo econômico se alinha perfeitamente com os objetivos do Partido Comunista. A única diferença é que a China tem a “honestidade” de chamá-la de “socialista.”

O socialismo é condenado pela Igreja

Sem entrar profundamente em uma refutação do socialismo, apenas recordarei aqui as palavras do Arcebispo Geraldo de Proença Sigaud, que já foi um aliado próximo do Prof. Plinio na luta contra a instalação do socialismo no Brasil:

Pope Leo XIII

Leão XIII: No socialismo a pessoa existe para o Estado, não o Estado para a pessoa

“O socialismo ensina a mesma doutrina marxista que o comunismo. Tem o mesmo objetivo, a Revolução, e quer a mesma organização econômica da sociedade. É materialista, rejeita a Religião, a moral, a lei, Deus, a Igreja, os direitos da família e do indivíduo. Quer que todos os meios de produção estejam nas mãos do Estado, assim como toda a educação, transporte e finanças, e que o Estado seja o senhor soberano de todas as forças da nação. Quer a supressão da diferença entre as classes sociais. Também para o socialismo a pessoa existe para o Estado, não o Estado para a pessoa” (cf. Leão XIII, Encíclica Rerum novarum, Ed. Vozes, pp. 5-6).

“A diferença entre socialistas e comunistas é uma diferença de método. Os comunistas querem o estabelecimento imediato da ditadura do proletariado para fazer a Revolução. Os socialistas recorrem a meios 'legais' para atingir o mesmo objetivo. Eles recorrem a eleições, greves legais e agitação sem sangue para obter leis de nacionalização e educação laica. Eles fazem a nação deslizar para o comunismo, geralmente sem convulsões violentas. O socialismo é uma rampa na qual as nações deslizam para o comunismo quase sem perceber.

“A vantagem tática do socialismo para aqueles que comandam a seita comunista é que o socialismo pode assumir cores mais suaves. O comunismo é vermelho sangue. O socialismo pode ir do vermelho ao rosa. O comunismo tem dificuldade em fingir ser cristão. O socialismo encontra maneiras de se chamar cristão e, assim, realizar a revolução gradualmente e por etapas.” (3)


Francisco, o CCI e a continuidade com Bento XVI

Alguns podem dizer que esta iniciativa do Papa Francisco é uma invenção nova. Na verdade, não é. Embora ele certamente esteja trabalhando nisso desde o início de seu pontificado, o plano também se encaixa perfeitamente na Encíclica do Papa Bento XVI Caritas in veritate, analisada pelo Sr. Atila Guimarães aqui. Ele mostrou que em sua encíclica o Papa Bento pedia um estado socialista global governado por uma autoridade internacional onipotente, algo que o Conselho para o Capitalismo Inclusivo também pretende alcançar.

Ao pensar em tudo isto, vêm-me à mente as palavras de Nossa Senhora de Fátima: a Rússia espalhará os seus erros pelo mundo... quem diria que seriam os Papas Conciliares que se colocariam ao serviço do comunismo global?

O próximo artigo irá expor a agenda religiosa do Conselho para o Capitalismo Inclusivo.

  1. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolution and Counter-Revolution, Spring Grove, Pennsylvania: American Society for the Defense of Tradition, Family and Property, 2014, p. 66.
  2. Edição de setembro da revista CCI, p. 7, parágrafo 6.
  3. De sua Carta Pastoral sobre a Seita Comunista, Parte II, Capítulo IV.

Continua

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Postado em 2 de junho de 2023

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