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Por favor, não chamem os protestantes de cristãos

Marian T. Horvat, Ph.D.

É muito comum hoje em dia ouvir católicos chamarem um protestante de "cristão" ou mesmo de "bom cristão." Nos Estados Unidos, isso já era uma prática antes do Vaticano II, devido à tendência dos católicos americanos de se acomodarem ao protestantismo, cujo tom dominava as esferas social e empresarial. Depois, havia a questão da adaptação, à medida que protestantes proeminentes aderiam à fé católica ou católicos se casavam com protestantes.

Era simplesmente mais fácil chamar todos de “cristãos.” Supostamente, isso minimizava as diferenças. O objetivo era criar a impressão de que católicos e protestantes eram primos em uma grande e feliz família. O Papa Leão XIII condenou essa tolerância ao protestantismo sob o nome de Americanismo, a heresia do Americanismo, para ser mais preciso.

Our Lord delivers the Keys of His Church to St. Peter, Pietro Perugino

Nosso Senhor entrega as chaves de Sua Igreja a São Pedro
Pietro Perugino, século XV, Capela Sistina
Após o Vaticano II, é desnecessário dizer, a prática de chamar protestantes de cristãos se intensificou, com os documentos conciliares oficiais assumindo essa mesma impropriedade. Assim, a Santa Sé, os Prelados e os padres tornaram seu uso o mais difundido possível. A acomodação ao protestantismo em nossos dias chegou a tal ponto que alguns católicos, para distinguir entre católicos e seus "irmãos separados" protestantes, se autodenominam cristãos católicos. Uma redundância, se é que já ouvi uma. Somente católicos podem ser verdadeiros cristãos. Ninguém que discorde da Igreja Católica Romana pode ser cristão. Os termos são sinônimos.

Toda vez que ouço o termo "cristão" usado para protestantes, estremeço. Seu uso claramente alimenta uma tendência a um perigoso indiferentismo religioso, que nega o dever do homem de adorar a Deus crendo e praticando a única e verdadeira Religião Católica. É uma admissão implícita de que aqueles que negam a única Fé podem, ainda assim, ser cristãos, isto é, estar na Igreja de Cristo. Inerentemente, isso leva à noção progressista de que os homens podem ser salvos em qualquer religião que aceite Cristo como Salvador. Um “bom luterano,” um “bom anglicano,” um "bom presbiteriano" — que importa, desde que sejam boas pessoas e amem sinceramente a Cristo?

Independentemente de quem aplique esse uso hoje, quero realçar que ele está em desacordo com toda a tradição da Igreja Católica até o Concílio. Considerar hereges como cristãos não é o ensinamento da Igreja.

Antes do Vaticano II, o Magistério sempre foi muito claro: não se trata do caráter ou das características de um indivíduo. Ninguém pode estar na Igreja de Cristo sem professar o conjunto das verdades da fé católica, estar em unidade com a Cátedra de Pedro e receber os mesmos Sete Sacramentos. O único cristão é aquele que aceita Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja que ele estabeleceu. Quem pode ter Deus por Pai e não aceitar a Igreja por Mãe? (Papa Pio IX, Singulari quidem de 17 de março de 1856) Quem pode aceitar a esposa Cristo, e não sua noiva mística, a Igreja? Quem pode separar a Cabeça, o Filho unigênito de Deus, do Corpo, que é a usa Igreja? (Papa Leão XIII, Satis cognitum de 29 de junho de 1896). Não é possível.

Em suma, somente aqueles que professam a única Fé Católica e estão unidos ao Corpo Místico de Cristo são membros da Igreja de Cristo. E somente esses membros podem legitimamente ostentar o título honorífico de cristão.

A seita protestante começou como uma revolta, protestando contra a Igreja de Cristo e fingindo aceitar Cristo sem Pedro, a autoridade que Ele estabeleceu na Terra. Com essa divisão, eles deixaram a Igreja e se tornaram hereges. Isso costumava ser dito e compreendido claramente, sem medo sentimental de ofender os vizinhos ou parentes: Um protestante é herege porque se separou do Corpo da Igreja. Ele não é um cristão e certamente não é um “bom cristão.”

As Escrituras confirmam essa verdade

Minha amiga Janete achou que eu estava sendo muito severa sobre esse assunto. "Você está fazendo tempestade em copo d'água,” disse ela. "As Escrituras não nos ensinam a amar o próximo e a não julgar?"

É a mesma velha história pós-Vaticano II, alegando que é "julgamento" corrigir más práticas e falsos ensinamentos e argumentar com interpretações discutíveis das Escrituras.

Luther and Melancchthon

Lutero e Melanchthon romperam com a Igreja de Cristo
Lucas Cranach o Jovem
Bem, apesar dessas interpretações subjetivas, as palavras inspiradas das Escrituras fornecem uma defesa inequívoca de que a custódia da vinha foi confiada por Cristo somente à Igreja Católica. Permitam-me citar apenas alguns versículos:
  • “Quem vos ouve (Pedro), a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou (Lc 10,16).” Não poderia ser mais claro: o protestante que rejeita a cabeça, rejeita o próprio Cristo, e não deve receber o nome de cristão.

  • Cristo estabelece uma Igreja com uma única cabeça: “E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,19).

  • São Paulo é severo em sua condenação de falsos mestres, por exemplo, os protestantes: “Se alguém vos pregar outro Evangelho além daquele que recebestes, seja anátema” (Gál 1,9).

  • Em outra passagem, ele instrui os católicos a se afastarem da má sociedade dos não católicos: “E nós vos ordenamos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que vos afasteis de todo irmão que anda desordenadamente e não segundo a Tradição que de nós receberam” (2 Tes 3,6).

  • O apóstolo São João proibiu qualquer relação com hereges: “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem o recebais” (2 João 1,10).
As Sagradas Escrituras são claras quanto ao ponto de que somente aqueles que pertencem à única Igreja fundada por Cristo, a Igreja Católica, podem ser legitimamente considerados cristãos.

Os Papas reiteram esse ensinamento

O Magistério Papal tradicional também foi claro sobre esse tema. Permitam-me apresentar alguns textos a título de exemplo.

A photograph of Pius IX

Pio IX: “Aquele que abandona a Cátedra de Pedro está falsamente persuadido de que está na Igreja de Cristo.”
Pio XII declarou inequivocamente: “Para ser cristão, é preciso ser romano. É preciso reconhecer a unidade da Igreja de Cristo, governada por um único sucessor do Príncipe dos Apóstolos, que é o Bispo de Roma, o Vigário de Cristo na terra” (Alocução aos peregrinos irlandeses de 8 de outubro de 1957). Como seria possível ser mais claro do que isso sobre aqueles que podem ser chamados de cristãos?

Leão XIII deixa claro que membros separados não podem pertencer ao mesmo corpo: “Enquanto o membro estava no corpo, vivia; separado, perdia a vida. Assim, o homem, enquanto vive no corpo da Igreja [Católica], é cristão; separado dela, torna-se herege” (Encíclica Satis cognitum de 29 de junho de 1896).

Enfatizando o destino daqueles que se afastam da única Fé, ele diz: “Quem a abandona [a Igreja Católica] afasta-se da vontade e do comando de Nosso Senhor Jesus Cristo; deixando o caminho da salvação, entra no da perdição. Quem se separa da Igreja une-se a uma adúltera” (idem). Certamente, eles não compartilham conosco o mesmo título de cristão.

O Papa Pio IX declarou: “Aquele que abandona a Cátedra de Pedro sobre a qual a Igreja está fundada, está falsamente persuadido de que está na Igreja de Cristo” (Quartus supra de 6 de janeiro de 1873, n. 8).

No Syllabus dos Erros Modernos, a proposição de que o protestantismo nada mais é do que outra forma da mesma religião cristã verdadeira foi especificamente condenada (Pio IX, n. 18) (1).

Portanto, há apenas uma Igreja cristã, a Igreja Católica, e somente aqueles que pertencem a ela devem ser legitimamente chamados de cristãos.

A medieval depiction of the apostles within the walls of the Church

Somente dentro da Igreja Católica a verdadeira união pode ser alcançada
Ottenbeueren Collectarius, século XII
Como combater o Americanismo?

Muitas pessoas me perguntam: O que posso fazer para combater o Progressismo? Outras me pedem: Dê-me alguns exemplos específicos de como posso combater o Americanismo.

Deixe-me oferecer uma maneira concreta de combater em você a tendência à acomodação com o Protestantismo.

Quando você se pegar chamando um protestante de “cristão,” pare e se corrija. Chame-o de protestante. É uma maneira de afirmar que você não aceita os erros protestantes e que os reconhece como a coisa terrível que são: os protestantes negaram muitos dogmas católicos e, por essa razão, causaram aquela primeira grande fissura na unidade da Igreja Católica, que causou danos incalculáveis à Cristandade e a perdição das almas que a ela aderiram.

É uma coisa pequena, mas por meio de pequenos costumes, nós, como povo, temos caminhado firmemente em direção ao indiferentismo religioso. É hora de colocar alguns obstáculos nesse caminho. Não devemos ocultar em termos ambíguos nosso amor pelo conjunto da Fé Católica. A única união verdadeira possível para católicos com protestantes é por meio de seu retorno à única e verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Católica. Somente com tal retorno eles podem legitimamente se chamar cristãos.
1. Numerosos ensinamentos católicos tradicionais sobre este tema podem ser encontrados em Atila S. Guimarães, Aniums Delendi II, Los Angeles: TIA, 2002, pp. 205-217. Veja também “Ecumenismo Cristão” em Simon Galloway, No Crisis in the Church? New Olive Press, 2006, pp. 1-51.
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Postado em 17 de junho de 2026

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