NOTÍCIAS: 28 de janeiro de 2026 (publicada em inglês a 29 de dezembro de 2025)
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Panorama de Notícias

COMO O VATICANO II PODERIA TER SIDO IMPEDIDO –
Como o último dia 8 de dezembro marcou o 60º aniversário do encerramento do Vaticano II em 1965, muitos comentários estão sendo publicados. Aproveitando essa tendência, farei meu próprio comentário aqui.
O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira foi o líder brasileiro de um trio que trabalhou junto por décadas combatendo a Revolução na Igreja e no Estado. O trio era formado por ele próprio, o Arcebispo Geraldo de Proença Sigaud e o Bispo Antônio de Castro Mayer. Quando os dois Prelados eram jovens sacerdotes, estavam em São Paulo e conheceram o jovem Dr. Plinio, a quem reconheceram como particularmente talentoso para liderá-los nessa luta.
Por mais de duas décadas, muitas obras marcantes surgiram dessa colaboração, como já mencionei em outros lugares (aqui e aqui).
Quando o Concílio Vaticano II foi convocado por João XXIII, os três viajaram juntos para Roma em outubro de 1962. O Prof. Plinio levou consigo uma delegação de cerca de 20 homens para auxiliá-los em suas ações planejadas para o Concílio. De fato, foram esses auxiliares que coletaram as assinaturas para as duas grandes petições dirigidas ao Papa e ao Concílio pelos Padres Conciliares.
A saber, a petição para condenar o comunismo (334 prelados) e outra para consagrar o mundo segundo o pedido de Nossa Senhora de Fátima (510 prelados). Essas duas petições, feitas em 1962, foram iniciativas do Prof. Plinio. O Concílio terminou e nem João XXIII nem Paulo VI deram atenção a essas petições.
Com o passar dos dois meses da Primeira Sessão do Vaticano II, o Prof. Plinio percebeu que o Progressismo havia usurpado o Concílio e ocupava posições importantes que definiriam seus rumos. De fato, três dos quatro Moderadores que controlavam as discussões eram progressistas: os Cardeais Suenens, Döpfner e Lercaro.
Além disso, muitos expoentes da Nouvelle Théologie (Nova Teologia) foram colocados nas comissões para preparar os documentos finais – Congar, Rahner, Schillebeecks, de Lubac, Chenu, entre muitos outros.
Episcopados progressistas, como o alemão, que controlavam poderosas organizações de caridade como a Cáritas, a Adveniat e outras, exerceram forte pressão sobre os Bispos de países missionários para que votassem de acordo com sua agenda. Se esses Bispos não votassem conforme indicado, os alemães cortariam suas verbas. Para se ter uma ideia da eficácia dessa tática, considere que somente o Brasil, que se enquadrava nessa categoria de país missionário, tinha mais de 300 Bispos no Concílio, e muitos deles dependiam das verbas dessas organizações de caridade alemãs.
Assim, o Prof. Plinio propôs aos dois prelados, o Arcebispo... Sigaud e o Bispo Mayer, que rejeitassem publicamente essa influência progressista e declarassem na reunião final da Primeira Sessão que não retornariam a outras Sessões porque o inimigo – o Progressismo – havia tomado conta daquela Assembleia. Essa rejeição pública seria respaldada por fortes argumentos e documentos demonstrando que o que se planejava instaurar na Igreja havia sido condenado pelo Magistério anterior e, portanto, não poderia ser aceito.
Se os dois Prelados tivessem tomado essa posição, a imprensa estaria lá para filmar e fotografar tudo. Em seguida, um comunicado de imprensa teria sido divulgado em todo o mundo por aquele grupo de leigos que acompanhava o Dr. Plinio. O grande impacto que isso teria causado provavelmente teria paralisado o Concílio.
Infelizmente, os dois Bispos ficaram com medo da Assembleia e do Papa, e não fizeram essa declaração pública.
O que descrevo aqui, como discípulo do Prof. Plinio, que o conheci por mais de 30 anos, agora tem provas para documentar.
Três daqueles leigos eruditos e instruídos que foram a Roma com o Professor Plínio permaneceram lá até o final do Concílio para auxiliar os dois Prelados e acompanhar os acontecimentos. Eles eram tão próximos dos dois Prelados que habitualmente compartilhavam refeições com eles.
Após o encerramento do Concílio, dois deles redigiram uma declaração, que reproduzo abaixo. Este documento permaneceu desconhecido até dezembro de 2025, quando o último dos dois signatários faleceu. Uma pessoa que guardava o documento o divulgou em um fórum de debates na internet, e um amigo me enviou a cópia.
O documento foi autenticado em cartório no Brasil, onde a autenticação tem muito mais força do que nos EUA. Lá, equivale aqui a uma declaração juramentada sob pena de perjúrio, ou seja, uma declaração escrita de fatos na qual o signatário atesta sua veracidade, reconhecendo que pode ser processado por perjúrio se mentir intencionalmente.
Em seu Ponto 1, que é de longe o mais importante, os signatários declararam que o Bispo Castro Mayer reconheceu que, se tivesse acatado a sugestão do Prof. Plinio que mencionei acima, o Concílio não teria se tornado a tragédia que se tornou.
Em seu Ponto 2, que diz respeito à aprovação da Declaração Dignitatis Humanae sobre a Liberdade Religiosa, os signatários mencionaram a indecisão de Mons. Lefèbvre, causada pelo medo, da qual foram testemunhas. Mons. Lefèbvre era um visitante assíduo dos aposentos do Arcebispo Sigaud, perto do Vaticano, e também conhecia esses dois advogados.
Para melhor compreender este Ponto 2 na sequência correta das datas, apresento esta cronologia da aprovação da Dignitatis Humanae:
Como podemos ver (letra D), houve 70 Bispos que votaram contra em 7 de dezembro, incluindo Mons. Lefèbvre. Não obstante, todos esses Bispos, incluindo Mons. Lefèbvre, assinaram posteriormente todos os documentos em resposta ao pedido/ordem de Paulo VI.
O que o documento revela é a instabilidade e a posição vacilante da vontade de Mons. Lefèbvre, o que não é uma surpresa, mas sim uma confirmação do que já analisei.
Uma observação paralela: dada a carta do Coetus instruindo seus membros a votarem “não,” fica claro, quando os signatários da declaração abaixo – os advogados Figueiredo e Soares Corrêa – pressionaram o Arcebispo francês a votar “não,” eles estavam apenas ecoando a recomendação geral feita pelo Coetus a todos os Bispos conservadores (carta B).
Finalmente, por que esses advogados escreveram o documento abaixo em 1989 e não antes ou depois? Creio que foram motivados a fazê-lo pela ruptura do Bispo Mayer com o Prof. Plinio e sua união com Mons. Lefèbvre, que se tornou pública em 1988, quando os dois consagraram quatro Bispos em Écone contra a vontade expressa de João Paulo II, colocando-se em situação de cisma.
Se esses dois prelados brasileiros tivessem seguido a sugestão do Prof. Plinio, não teria havido a crise do Vaticano II que levaria um deles ao cisma...
DECLARAÇÃO
Os abaixo-assinados Pedro Paulo Figueiredo e Carlos Alberto Soares Corrêa, brasileiros, solteiros, advogados, portadores das respectivas carteiras de identidade RG 6.083.259/SP e 6.072.516/SP, declaram o seguinte:
1. Estando em Roma em dezembro de 1965, alguns dias antes do Santo Natal, fomos convidados por Sua Excelência Dom Antônio de Castro Mayer, então Bispo de Campos, a viajar para a cidade de Assis. O Sr. Henrique Barbosa Chaves, que na época era colaborador da TFP brasileira, também foi convidado. Antes de partirmos para Assis, almoçamos em um restaurante na saída de Roma para aquela cidade histórica.
Ao final do almoço, o Sr. Henrique Barbosa Chaves disse ao Bispo Mayer: “Vossa Excelência, o Concílio terminou. Que tragédia foi este Concílio para a Igreja!” E o Bispo Mayer, em tom muito sério, respondeu: “E a culpa é do Arcebispo Sigaud e minha, que não quisemos ouvir o Dr. Plinio”
2. Alguns dias antes desse fato, enquanto estávamos na casa alugada pelo Arcebispo Sigaud na Vila Alessandro III, que fica bem perto do Vaticano, chegou o Arcebispo francês Marcel Lefèbvre. A casa estava sendo fechada e nos preparávamos para retornar à Embaixada do Brasil, onde havíamos ficado durante o Concílio. Dom Lefèbvre nos disse: “Amanhã haverá a votação sobre o projeto de ‘liberdade religiosa.’ Votarei ‘sim,’ porque não quero me opor a Paulo VI.”
Mostramos-lhe que era necessário votar “não” e que certamente seria um pecado mortal votar “sim.” Ele nos respondeu: “Para votar 'não,' é preciso se opor a Paulo VI, e vocês não sabem quão terrível é se opor ao Papa e dizer 'não.'”
Insistimos com o Arcebispo que seria um pecado mortal não votar 'não.' Ele concordou e prometeu votar contra o projeto de lei sobre liberdade religiosa, o que de fato fez no dia seguinte.
São Paulo, 12 de outubro de 1989.
Pedro Paulo Figueiredo
Carlos Alberto Soares Corrêa.
Autenticado em 26 de outubro de 1989.
Para obter uma cópia do documento original em português, clique aqui
O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira foi o líder brasileiro de um trio que trabalhou junto por décadas combatendo a Revolução na Igreja e no Estado. O trio era formado por ele próprio, o Arcebispo Geraldo de Proença Sigaud e o Bispo Antônio de Castro Mayer. Quando os dois Prelados eram jovens sacerdotes, estavam em São Paulo e conheceram o jovem Dr. Plinio, a quem reconheceram como particularmente talentoso para liderá-los nessa luta.
Por mais de duas décadas, muitas obras marcantes surgiram dessa colaboração, como já mencionei em outros lugares (aqui e aqui).
Os Cardeais Suenens, Döpfner e Lercaro foram escolhidos como moderadores do Vaticano II para impor a agenda progressista
A saber, a petição para condenar o comunismo (334 prelados) e outra para consagrar o mundo segundo o pedido de Nossa Senhora de Fátima (510 prelados). Essas duas petições, feitas em 1962, foram iniciativas do Prof. Plinio. O Concílio terminou e nem João XXIII nem Paulo VI deram atenção a essas petições.
Com o passar dos dois meses da Primeira Sessão do Vaticano II, o Prof. Plinio percebeu que o Progressismo havia usurpado o Concílio e ocupava posições importantes que definiriam seus rumos. De fato, três dos quatro Moderadores que controlavam as discussões eram progressistas: os Cardeais Suenens, Döpfner e Lercaro.
Além disso, muitos expoentes da Nouvelle Théologie (Nova Teologia) foram colocados nas comissões para preparar os documentos finais – Congar, Rahner, Schillebeecks, de Lubac, Chenu, entre muitos outros.
Episcopados progressistas, como o alemão, que controlavam poderosas organizações de caridade como a Cáritas, a Adveniat e outras, exerceram forte pressão sobre os Bispos de países missionários para que votassem de acordo com sua agenda. Se esses Bispos não votassem conforme indicado, os alemães cortariam suas verbas. Para se ter uma ideia da eficácia dessa tática, considere que somente o Brasil, que se enquadrava nessa categoria de país missionário, tinha mais de 300 Bispos no Concílio, e muitos deles dependiam das verbas dessas organizações de caridade alemãs.
Assim, o Prof. Plinio propôs aos dois prelados, o Arcebispo... Sigaud e o Bispo Mayer, que rejeitassem publicamente essa influência progressista e declarassem na reunião final da Primeira Sessão que não retornariam a outras Sessões porque o inimigo – o Progressismo – havia tomado conta daquela Assembleia. Essa rejeição pública seria respaldada por fortes argumentos e documentos demonstrando que o que se planejava instaurar na Igreja havia sido condenado pelo Magistério anterior e, portanto, não poderia ser aceito.
Se os dois Prelados tivessem tomado essa posição, a imprensa estaria lá para filmar e fotografar tudo. Em seguida, um comunicado de imprensa teria sido divulgado em todo o mundo por aquele grupo de leigos que acompanhava o Dr. Plinio. O grande impacto que isso teria causado provavelmente teria paralisado o Concílio.
Infelizmente, os dois Bispos ficaram com medo da Assembleia e do Papa, e não fizeram essa declaração pública.
O que descrevo aqui, como discípulo do Prof. Plinio, que o conheci por mais de 30 anos, agora tem provas para documentar.
Em primeiro plano, Prof. Plinio com os advogados Carlos Alberto Soares Corrêa e Pedro Paulo Figueiredo
Após o encerramento do Concílio, dois deles redigiram uma declaração, que reproduzo abaixo. Este documento permaneceu desconhecido até dezembro de 2025, quando o último dos dois signatários faleceu. Uma pessoa que guardava o documento o divulgou em um fórum de debates na internet, e um amigo me enviou a cópia.
O documento foi autenticado em cartório no Brasil, onde a autenticação tem muito mais força do que nos EUA. Lá, equivale aqui a uma declaração juramentada sob pena de perjúrio, ou seja, uma declaração escrita de fatos na qual o signatário atesta sua veracidade, reconhecendo que pode ser processado por perjúrio se mentir intencionalmente.
Em seu Ponto 1, que é de longe o mais importante, os signatários declararam que o Bispo Castro Mayer reconheceu que, se tivesse acatado a sugestão do Prof. Plinio que mencionei acima, o Concílio não teria se tornado a tragédia que se tornou.
Em seu Ponto 2, que diz respeito à aprovação da Declaração Dignitatis Humanae sobre a Liberdade Religiosa, os signatários mencionaram a indecisão de Mons. Lefèbvre, causada pelo medo, da qual foram testemunhas. Mons. Lefèbvre era um visitante assíduo dos aposentos do Arcebispo Sigaud, perto do Vaticano, e também conhecia esses dois advogados.

Durante o Concílio uma refeição do Coetus Internationalis Patrum - setas vermelhas no sentido horário a partir da esquerda: Advogado Carlos Alberto Soares Corrêa, Bispo Antonio de Castro Mayer, Arq. Marcel Lefèbvre e Arceb. Geraldo Proença Sigaud
- O documento começou a ser discutido em 14 de outubro de 1965;
- Em 18 de novembro, o Coetus Internationalis Patrum, que reunia os Bispos conservadores do Concílio, enviou-lhes uma carta recomendando o voto "não."
- Em 19 de novembro, ocorreu uma votação pré-final na qual 1.954 votos foram a favor, 249 contra e 13 votos nulos.
- Em 7 de dezembro de 1965, a Dignitatis Humanae recebeu aprovação final em sessão solene: obteve 2.308 votos a favor, 70 votos contra e 8 votos nulos.
- Mais tarde, Paulo VI pediu/ordenou que todos os Bispos do Concílio assinassem todos os documentos finais do Concílio; o que, de fato, todos os Bispos fizeram.
Como podemos ver (letra D), houve 70 Bispos que votaram contra em 7 de dezembro, incluindo Mons. Lefèbvre. Não obstante, todos esses Bispos, incluindo Mons. Lefèbvre, assinaram posteriormente todos os documentos em resposta ao pedido/ordem de Paulo VI.
O que o documento revela é a instabilidade e a posição vacilante da vontade de Mons. Lefèbvre, o que não é uma surpresa, mas sim uma confirmação do que já analisei.
Uma observação paralela: dada a carta do Coetus instruindo seus membros a votarem “não,” fica claro, quando os signatários da declaração abaixo – os advogados Figueiredo e Soares Corrêa – pressionaram o Arcebispo francês a votar “não,” eles estavam apenas ecoando a recomendação geral feita pelo Coetus a todos os Bispos conservadores (carta B).
Finalmente, por que esses advogados escreveram o documento abaixo em 1989 e não antes ou depois? Creio que foram motivados a fazê-lo pela ruptura do Bispo Mayer com o Prof. Plinio e sua união com Mons. Lefèbvre, que se tornou pública em 1988, quando os dois consagraram quatro Bispos em Écone contra a vontade expressa de João Paulo II, colocando-se em situação de cisma.
Se esses dois prelados brasileiros tivessem seguido a sugestão do Prof. Plinio, não teria havido a crise do Vaticano II que levaria um deles ao cisma...
Os abaixo-assinados Pedro Paulo Figueiredo e Carlos Alberto Soares Corrêa, brasileiros, solteiros, advogados, portadores das respectivas carteiras de identidade RG 6.083.259/SP e 6.072.516/SP, declaram o seguinte:
1. Estando em Roma em dezembro de 1965, alguns dias antes do Santo Natal, fomos convidados por Sua Excelência Dom Antônio de Castro Mayer, então Bispo de Campos, a viajar para a cidade de Assis. O Sr. Henrique Barbosa Chaves, que na época era colaborador da TFP brasileira, também foi convidado. Antes de partirmos para Assis, almoçamos em um restaurante na saída de Roma para aquela cidade histórica.
Ao final do almoço, o Sr. Henrique Barbosa Chaves disse ao Bispo Mayer: “Vossa Excelência, o Concílio terminou. Que tragédia foi este Concílio para a Igreja!” E o Bispo Mayer, em tom muito sério, respondeu: “E a culpa é do Arcebispo Sigaud e minha, que não quisemos ouvir o Dr. Plinio”
2. Alguns dias antes desse fato, enquanto estávamos na casa alugada pelo Arcebispo Sigaud na Vila Alessandro III, que fica bem perto do Vaticano, chegou o Arcebispo francês Marcel Lefèbvre. A casa estava sendo fechada e nos preparávamos para retornar à Embaixada do Brasil, onde havíamos ficado durante o Concílio. Dom Lefèbvre nos disse: “Amanhã haverá a votação sobre o projeto de ‘liberdade religiosa.’ Votarei ‘sim,’ porque não quero me opor a Paulo VI.”
Mostramos-lhe que era necessário votar “não” e que certamente seria um pecado mortal votar “sim.” Ele nos respondeu: “Para votar 'não,' é preciso se opor a Paulo VI, e vocês não sabem quão terrível é se opor ao Papa e dizer 'não.'”
Insistimos com o Arcebispo que seria um pecado mortal não votar 'não.' Ele concordou e prometeu votar contra o projeto de lei sobre liberdade religiosa, o que de fato fez no dia seguinte.
São Paulo, 12 de outubro de 1989.
Pedro Paulo Figueiredo
Carlos Alberto Soares Corrêa.
Autenticado em 26 de outubro de 1989.
Para obter uma cópia do documento original em português, clique aqui




















