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A vocação de Carlos Magno - I

Analogia entre Carlos Magno e Moisés

Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
Quando se fala dos feitos e da grandeza de Carlos Magno, isso me traz à mente a extraordinária figura de Moisés, também com seus feitos e sua grandeza. Moisés fundou para o povo escolhido uma ordem que era uma prefigura da Cristandade. Foi ele quem recebeu de Deus a revelação dos Dez Mandamentos e libertou o Povo Escolhido do cativeiro no Egito e os levou aos portões da Terra Prometida. Ao fazer isso, ele forneceu os elementos fundamentais para o Povo Escolhido se estabelecer como nação e criar as condições para o Salvador nascer dele.

Moses

Acima, Moisés; abaixo, Carlos Magno

Charlemagne
Carlos Magno tinha uma tarefa que, em sua essência, era análoga à de Moisés. Ele levou o povo católico - do qual o povo escolhido era uma prefigura - que estava enfrentando um risco iminente de cair em servidão sob seus piores adversários, e conquistou todos esses adversários através de uma tremenda luta e estabeleceu os fundamentos da Civilização Cristã.

Para termos uma ideia de qual era a tarefa de Carlos Magno, precisamos considerar as condições da época. Os Srs. sabem que, até o século V de nossa era, o Império Romano do Ocidente dominou a Europa Ocidental. Em linhas gerais, suas fronteiras se estendiam do Reno e do Danúbio a Portugal e da Inglaterra à Itália. Era, portanto, uma imensa unidade.

As vias de comunicação da época dificultavam um imperador governar uma extensão tão grande de território. Assim, as dimensões desse império exigiam uma estrutura política e administrativa gigantesca para mantê-lo unido.

Este império foi derrubado pela avalanche das invasões bárbaras. Os bárbaros eram arianos ou pagãos. O arianismo era uma heresia que pode ser vagamente comparada ao protestantismo. O ariano era tão anticatólico quanto um protestante: isto é, ele fora separado da Igreja; ele era um herege, um excomungado e o inimigo.

Um bispo ariano chamado Ulfilas havia pervertido os bárbaros pagãos para a religião ariana. Assim, um grande número de bárbaros que invadiram o Império Romano, que era católico, era ariano e queria impor a religião ariana. Outros eram pagãos e pretendiam impor o paganismo. Esses bárbaros, como o nome indica, eram por hábito, psicologia e tendência natural opostos à civilização. Então, onde quer que eles se estabelecessem, eles destruíram a civilização.

Para os Srs. terem uma ideia do grau de primitivismo desses bárbaros, basta observar que eles dormiam nas praças públicas porque se sentiam sufocados dormindo dentro de uma casa. Além disso, algumas tribos foram incapazes de dormir mesmo nas praças e tiveram que deixar os muros das cidades para dormir nos campos abertos ou na floresta para não se sentirem asfixiados.

Um problema que os bárbaros tiveram que enfrentar era se deveriam ou não se civilizar. Eles viram os romanos que foram bem formados e educados, mas eram soldados corruptos e pobres, e atribuíram o último à civilização. Então, eles tinham um grande desprezo por qualquer tipo de boa formação e educação. Eles pensavam que ser civilizado era sinônimo de ser efeminado.

Barbarians invade the Roman Empire

Bárbaros invadem o Império Romano

Quando os bárbaros se estabeleceram em solo europeu e começaram a impor sua detestável tirania, o Império se desfez, mas a Igreja Católica permaneceu de pé. O Império desapareceu, mas a Igreja com suas dioceses, mosteiros e igrejas continuou de pé.

Nessa perspectiva, o caminho para salvar a Europa e impedir que ela caísse no abismo era fortalecer a Igreja e, assim, reconstruir a Europa, elevando-a da condição miserável em que caíra.

No topo dessa situação, veio uma nova catástrofe. Devido à moleza e traição dos ostrogodos que viviam na Península Ibérica, a Espanha foi invadida pelos muçulmanos. Os árabes assumiram quase toda a Espanha e, a partir dessa base, tentaram invadir a Europa semi-romana e semibárbara. Outros muçulmanos vindos da África em navios desembarcaram no sul da França e Itália. Assim, aquela realidade ferida que era a Europa também foi submetida ao ataque muçulmano.

Foi nesse momento crucial em que tudo parecia estar perdido que Deus levantou um homem providencial, Carlos Magno. Um homem, que eu acredito, era um verdadeiro profeta; um homem que edificaria o reino de Deus porque tinha o dom de reunir povos e unir suas vontades para alcançar esse objetivo. Além disso, ele tinha o dom de vencer todos os obstáculos que impediam a realização dessa nova ordem.

Continua
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Postado em 18 de outubro de 2019


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