Sim, por favor
Não, obrigado
Documentos para seus arquivos 
   HOME   

DOCUMENTO PROGRESSISTA DA SEMANA

Bishop Fellay:
'Aceitar o Vaticano II não é um problema para nós'
Em 11 de maio de 2001, o Bispo Fellay concedeu uma entrevista ao jornal suíço La Liberté, na qual afirmou que a FSSPX não tinha problemas em aceitar o Vaticano II e que já aceitava 95% dele. A única discordância com Roma, segundo ele, não era com os documentos do Concílio, mas apenas com a sua interpretação.

Essas declarações de Mons. Fellay são mais uma prova das constantes contradições da FSSPX desde o seu início: em 1965 Mons. Marcel Lefèbvre assinou todos os documentos do Vaticano II; imediatamente após o Concílio, ele exortou seus seguidores a estudarem o Vaticano II com devoção, pois dele derivariam muitas graças, raciocínio correto e orientação para seus apostolados; mais tarde, Mons. Lefèbvre fingiu ser contra o Concílio em seu livro Eu Acuso o Concílio; posteriormente, contradisse-se mais uma vez ao afirmar que aceitava o Concílio interpretado "à luz da tradição." Em 2021, declarações ambíguas foram feitas pelo Pe. Davide Pagliarani ao insinuar que a FSSPX rejeita o Vaticano II, quando na realidade não o faz. A própria FSSPX afirmou isso em seu site.

A entrevista publicada no La LIberté confirma que a FSSPX não se opõe ao Vaticano II.

Abaixo, apresentamos uma tradução completa em inglês do artigo original em francês, para benefício de nossos leitores. As perguntas do jornalista estarão em itálico; o negrito é nosso, correspondendo às partes em amarelo no jornal. As partes importantes estão destacadas em amarelo na imagem digitalizada do jornal, abaixo à direita.

Notas sobre a fonte e a numeração: a digitalização do jornal original pode ser encontrada no arquivo online de jornais da Biblioteca Nacional Suíça aqui. Um arquivo PDF para download do jornal completo daquele dia pode ser acessado aqui. As páginas em questão são as páginas 1 e 28, de acordo com a numeração do PDF, e as páginas 1 e 14, de acordo com a numeração do jornal.

Fellay

Fellay

Para ver uma imagem maior, clique aqui.

La Liberté
11 de maio de 2001 - Primeira página – Título

As discussões entre Écône e Roma se transformam em um diálogo de surdos

Entrevista - "Roma nos diz que discutir nossas diferenças em detalhes levaria muito tempo. Mas se não as discutirmos, elas permanecerão totalmente sem solução." Como Superior da Fraternidade São Pio X – o movimento tradicionalista fundado por Marcel Lefèbvre – Bernard Fellay, natural do cantão suíço de Valais, aborda a lentidão na reaproximação iniciada no final do ano passado entre Roma e a Écône com o Vaticano. Em entrevista concedida ao jornal La Liberté, ele aponta um problema metodológico: segundo ele, o Vaticano prefere primeiro encontrar um lugar dentro da Igreja para os tradicionalistas declarados "cismáticos." Écône, por sua vez, deseja começar tratando das diferenças de base – incluindo as relativas ao Concílio Vaticano II. E sem concessões.

- Página 14 -
Título

Mons. Bernard Fellay, superior geral da Fraternidade São Pio X, fala sobre os contatos com Roma

ÉCÔNE QUER UNIDADE SEM FAZER NENHUMA CONCESSÃO


O Vaticano e Écône retomaram o diálogo. Foi o que muitos relatos, logo desmentidos, afirmaram. O que realmente está acontecendo? Eis a perspectiva dos tradicionalistas, defendida por seu superior, Bernard Fellay.

Stephan Klatt | Serge Gumy

Conversas de corredor ou negociações genuínas? Desde o final do ano passado, o Vaticano e os tradicionalistas de Écône voltaram a dialogar. O ponto de partida para essa reaproximação incipiente foi a visita da delegação da Fraternidade São Pio X a Roma durante o Ano Santo. Desde então, vários encontros ocorreram; o mais recente, segundo fontes em Écône, teria acontecido na semana passada.

O que as partes estão discutindo? O que está em jogo nesse diálogo – supondo, é claro, que um diálogo ainda esteja de fato acontecendo? O Vaticano permanece em silêncio: o Cardeal Dario Castrillón Hoyos, Presidente da Comissão Ecclesia Dei (responsável pelos movimentos tradicionalistas), não se pronunciará até apresentar resultados concretos, indicou a Assessoria de Imprensa.

Do lado de Écône, porém, as pessoas estão mais falantes. Como sucessor do Arceb. Marcel Lefèbvre à frente da Fraternidade, o Bispo Bernard Fellay – um dos quatro bispos cuja consagração desencadeou o cisma de 1988 – oferece sua perspectiva em entrevista concedida ao La Liberté, ao St. Galler Tagblatt, e ao Basler Zeitung.

La Liberté: O senhor esperava que Roma aproveitasse a oportunidade oferecida por sua peregrinação para reabrir o diálogo?

Bernard Fellay: Havia sinais de alerta. Há um ano, Mons. Perl, Secretário da Comissão Ecclesia Dei, afirmou que havia chegado a hora de tratar da questão da Fraternidade. Nossa surpresa decorreu da magnitude e da rapidez com que Roma superou uma posição que antes era quase radicalmente contestada.

L – Por que essa urgência por parte de Roma?

BF – O Papa está se aproximando do fim de seu pontificado. Como alguém que buscou ser um defensor da unidade, ele está tentando remover essa mácula de seu pontificado. Por que não houve uma reaproximação antes? Acredito que Roma precisava ver por si mesma que não somos tão inflexíveis como costumam nos retratar.

L – Para quem as discussões são mais complicadas – para o Sr. ou para Roma?

BF – Para nós, há uma questão de confiança. Durante anos, Roma agiu de forma destrutiva em relação a nós. Essa atitude é inaceitável e precisa acabar. O tratamento atual de Roma em relação a nós é completamente diferente. Certamente, é legítimo perguntar por quê. Sobre esse ponto, aguardamos respostas concretas.

L – E quais são os pontos sensíveis do lado do Vaticano?

BF – É difícil responder enquanto essas questões ainda estão em discussão. Eu diria simplesmente que Roma está buscando uma solução extremamente prática sem enfrentar as questões substantivas.

L – O que, especificamente, o Sr. espera dessas discussões?

BF – Que Roma declare que os sacerdotes podem continuar a celebrar a Missa Antiga. O outro elemento é a revogação da declaração de sanções (a excomunhão dos bispos consagrados em 1988 pelo Arcebispo Lefèbvre – Ed.).

L – Que concessões a Sociedade está preparada para fazer a fim de facilitar essa reconciliação?

BF – Estamos preparados para dialogar; aliás, estamos pedindo por isso. Dizemos a Roma: observem os Srs. mesmos a situação em que nosso movimento encontra na Igreja. Pedimos que Roma esteja disposta a considerar as razões subjacentes à nossa posição – algo que, até agora, nunca foi feito.

L – Mais especificamente?

BF – Estamos preparados para viver neste mundo – um mundo que se distanciou mais de nós do que nós dele. Isso implica reconhecer a autoridade do bispo local – algo que, em princípio, já está em vigor. Afinal, consideramo-nos católicos. Nosso problema reside em determinar o ponto de referência adequado.

L – Alguns dentro da Igreja estabeleceram o reconhecimento de todos os concílios da Igreja como uma condição prévia.

BF – Aceitar o Concílio não representa nenhum problema para nós. No entanto, existe um critério de discernimento. E esse critério é o que sempre foi ensinado e acreditado: a Tradição. Daí a necessidade de esclarecimento.

L – Os Srs. já estão discutindo isso especificamente com Roma?

BF – Não, e é por isso que as discussões estão paralisadas. Roma nos diz que levaria muito tempo para discutir nossas diferenças em detalhes; contudo, se não as discutirmos, elas permanecerão sem solução.

L – Os Srs. consideram isso uma questão urgente?

BF – Não tanto quanto Roma.

L – Mas os Srs. não temem que o passar do tempo possa afastá-los ainda mais?

BF – Pelo contrário.

L – A Fraternidade São Pio X fala a uma só voz?

BF – Fundamentalmente, sim – ao contrário do que alguns querem fazer crer.

L – Quem decide iniciar o contato com Roma e quem avalia os resultados?

BF – Desde o momento em que o Arcebispo Lefèbvre decidiu consagrar os bispos, ficou claro que as relações com Roma estavam sob a responsabilidade do Superior da Fraternidade. Ou seja, a minha própria.

L – Roma está propondo uma prelazia pessoal para a Fraternidade – nos moldes Opus Dei?

BF – Digamos apenas que as coisas estão caminhando nessa direção. A ideia seria conceder aos bispos jurisdição genuína sobre os fiéis.

L – E a que status a Fraternidade São Pio X aspira?

BF – Exigimos liberdade de ação. Os fiéis que desejam assistir à Missa antiga devem poder fazê-lo sem ser incomodados. A solução concedida à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (um movimento tradicionalista que permaneceu fiel ao Vaticano – Ed.) é inviável: deixa tudo ao critério dos bispos locais – a maioria dos quais se opõe radicalmente à Tradição. A razão mais frequentemente citada – que, na minha opinião, é falsa – é que o “bi-ritualismo” é incontrolável. No entanto, alguns bispos percebem corretamente a liberdade concedida à Missa antiga como um desafio às reformas pós-conciliares.

L – Um desafio que o Sr. continua a esperar?

BF – Isso dá a impressão de que rejeitamos “tudo” do Vaticano II. Na verdade, mantemos 95% dele. Não se trata tanto de uma ideia, mas de uma mentalidade à qual nos opomos – uma atitude em relação à mudança que é tratada como um postulado: tudo no mundo muda, portanto, a Igreja deve mudar.

Este é certamente um assunto para debate, pois é inegável que, ao longo do último meio século, a Igreja perdeu uma enorme influência. Ela ainda conserva alguma influência, mas principalmente como instituição; sua influência "real" – a dos bispos, por exemplo – é agora muito fraca. A Igreja está se dando conta disso, mas age como se não tivesse mais solução. Sua voz já não é clara. Basta ver as reações à Dominus Iesus.

L – Mas essa foi uma "declaração clara," não foi?

BF – Não. Há, de fato, elementos claros no texto – e foi precisamente contra esses elementos que os "progressistas" reagiram. No entanto, as formulações extremamente incisivas – uma linguagem à qual nos desacostumávamos e que eu pessoalmente acolhi – são atenuadas, quase em todas as frases, por referências ao Concílio.

L – O Sr. vê essas formulações como um sinal de que Roma está gradualmente se aproximando de suas posições?

BF – Não tenho certeza – justamente por causa dessa mistura. Tem-se a nítida impressão de que Roma, em seu esforço para manter a unidade dentro da Igreja, sente-se compelida a tentar conciliar ambos os lados – apaziguar todos.

L – Se o Sr. se colocasse no lugar de João Paulo II, como lidaria com a diversidade muito real que existe dentro da Igreja?

BF – Creio que devemos retornar aos princípios fundamentais: à natureza da Igreja – sua missão, sua própria essência. As soluções atualmente aplicadas a este problema genuíno são demasiadamente humanas – embora, é claro, haja certamente uma dimensão humana na Igreja. No momento, há uma busca obsessiva pela unidade – que é, sem dúvida, um grande bem, mas não um fim em si mesma.

É a *fé* que cria a unidade. Se, em nome da unidade, alguém deixa de lado uma parte da Revelação da qual a Igreja é guardiã, acaba por minar essa mesma unidade. Pelo contrário, se afirmarmos com veemência essas verdades, certamente surgirão divisões. Elas já existem, aliás. É precisamente por isso que pedimos a Roma que reflita antes de nos repreender.

L – O que uma reconciliação com Roma mudaria para o Sr.?

BF – Roma reconheceria esta posição – pelo menos fundamentalmente – como válida.

L – Válida como uma opção entre outras, ou a opção válida?

BF – A posição de Roma – diplomática e politicamente falando – será quase certamente de pluralismo, mesmo que eles acreditem no contrário em privado. Nós mesmos somos muito cautelosos: em nossa visão, dentro da Igreja, existem certas opções válidas e outras que não são.

L – O Sr. sofre com as divisões dentro da Igreja?

BF – Quando as coisas dão errado na própria família, dói. Não sofro diretamente com a excomunhão em si. Mas o estado atual da Igreja – isso sim, me afeta profundamente.



Compartilhe

Blason de Charlemagne
Siga-nos